O presidente da Fundação Centro Cultural de Belém reafirmou a sua oposição ao novo acordo durante mais uma sessão das Tertúlias do Infante Sagres, desta feita sobre o tema 'O Novo Acordo Ortográfico, Ensino e Cultura'.
A sua tese baseia-se desde logo em argumentos jurídicos, na medida em que "o Acordo não está em vigor porque não foi ratificado por Angola e Moçambique".
O Governo de Portugal adoptou o acordo desde 1 de Janeiro, mas, para Vasco Graça Moura, o documento "não é aplicável porque não existe um vocabulário ortográfico comum" a todos os países de língua oficial portuguesa.
O poeta, ficcionista, ensaísta, tradutor e actual responsável máximo pelo Centro Cultural de Belém, em Lisboa, critica ainda "as facultatividades introduzidas" pelo Acordo, porque "geram o caos".
Afirma que o Acordo introduz, ainda, "graves lesões da pronúncia de muitas palavras e em nada se contribui para a unidade da ortografia" da língua portuguesa.
PORTUGUÊS COMO "VARIANTE EXÓTICA"
Na mesa encontrava-se também Rui Estrada, professor catedrático da Universidade Fernando Pessoa, o qual defendeu o novo Acordo e considerou até que se corre "o risco" de ver o português falado e escrito em Portugal tornar-se "uma variante exótica, como é hoje o mirandês."
Rui Estrada afirmou também que "o que conta hoje são os números", realçando que "o Brasil é a sexta potência económica do Mundo" e "tem uma população de 190 milhões de pessoas", ao passo quem em Portugal "as perspectivas demográficas são catastróficas".
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