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Especial

Atualizado em 03/27/2009

PJ investiga 500 homicídios por ano

A Polícia Judiciária investigou, nos últimos seis anos, uma média de 500 crimes de homicídios consumados e na forma tentada. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna de 2008, o homicídio, os crimes sexuais contra menores e o roubo violento de viaturas, o chamadocarjacking, são os mais reveladores da tendência criminal no nosso país. Ainda de acordo com o documento ontem divulgado, a maior parte dos crimes de sangue estão relacionados com problemas familiares ou, mesmo, com a vizinhança, mesmo que por "motivos desprezíveis". Mas, nos últimos anos, há cada vez mais assaltantes que não hesitam em premir o gatilho num roubo.

No ano passado morreram 145 pessoas às mãos de criminosos. Mas, segundo as contas da Judiciária, foram investigados 494 processos – por homicídio simples, qualificado, tentativa e homicídio por negligência. Nos últimos seis anos investigaram- se cerca de 500 crimes destes por ano, a maior parte cometidos com armas de fogo, seguidos de facas, força física e, até, veneno. A taxa de resolução rondou, em 2008, os 40 por cento. Também os crimes sexuais aumentaram dez vezes mais nos últimos oito anos. No ano passado investigaram- se 1382 crimes de abuso sexual contra os menores, enquanto em 2000 a PJ teve 139 casos nas mãos. Foram detidos 91 predadores sexuais em 2008. Outra preocupação acrescida é o roubo de carros pelo método de carjacking. A análise da polícia é clara: a maior parte da "tomada de posse violenta da viatura" tem o próposito de praticar outro crime. Desde 2007 que os assaltantes preferem Audi, BMW e Mercedes "talvez pelo tamanho da bagageira e eventualmente conectado com o furto de caixas ATM", diz o relatório. No ano passado, foram investigados 3541 casos de carjacking – o triplo em relação a 2003. 

Os crimes e a crise

"A par da criminalidade organizada, cresce o crime relacionado com o desespero das pessoas. A falta de dinheiro para fazer face às despesas, omedo de perder o emprego, a mudança drástica de vida conduzem a relações conflituosas", reconhece ao 24horas o psicólogo criminal Carlos Poiares. No ano passado, a PJ – responsável pela investigação de crimes violentos – foi a força que mais participações recebeu em relação ao ano anterior (mais 22,7 por cento). Segundo o relatório foram participados 421.037 crimes (mais 7,5 % que no ano anterior). Só a Judiciária, neste perído, investigou 29.785 casos – cerca de 480 crimes por semana. "Este ano a situação deverá piorar. Quando as pessoas começarem a sentir na pele os efeitos da crise, a criminalidade ", refere Carlos Poiares. Ao longo de 355 páginas, o Ministério da Administração Interna apresenta vários programas de prevenção da criminalidade – a postos de abastecimento de combustível, farmácias, taxistas e comércio. Ainda assim, o crime continua a disparar.



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