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Atualizado em 07/28/2009

Gripe A H1N1: Infecciologista adverte que as crianças devem ficar em casa

As crianças são o segundo grupo, a seguir aos jovens adultos, mais afectado pela gripe A H1N1. 

A razão é simples: o vulgar vírus da gripe "gosta" mais de crianças e este parece não ser excepção. 

Só em Portugal, nas últimas 48 horas, 22 casos correspondiam a crianças. Nas escolas e infantários, ainda a preparar os planos de contingência, lavarasmãos várias vezes ao dia faz agora parte da rotina. Perante uma situação de infecção generalizada, com muitos casos positivos, os pais deviam deixar os filhos em casa. "Nas crianças, especialmente as muito pequenas, não é possível introduzir as mesmas medidas que aconselhamos aos mais velhos. Elas são muito afectuosas, gostam de abraços, partilham brinquedos e chupetas", disse ao 24horas Maria João Brito, infecciologista pediátrica e membro da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP). 

"A criança é um reservatório de vírus. Agripe sazonal é assim que se comporta. É uma característica dos vírus. Há uns que gostam mais de crianças, outros de idosos ou de imunodepressivos. Habitualmente é a criança que quando apanha gripe acaba por disseminar a doença em casa. 

Desta gripe ainda há muito para investigar", explicou a especialista. Além da transmissão por gotículas, o contágio da gripe também pode acontecer de uma forma indirecta, como com a partilha de chupetas. O vírus pode sobreviver entre duas e oito horas em superfícies. Em alguns casos, podem sermesmo dez horas. 

"É importante as pessoas começarema pensarque não basta protegerem- se a si próprias, também é preciso proteger os outros. 

Um pai que tem o filho doente, com febre, não deve levá-lo para o infantário ou para a ama. Se o fizer, coloca em risco as outras crianças", alertou a especialista. 

"Ter uma criança doente na escola e andara limpar bancadas não é eficaz", reforçou. Os conselhos valem também para os funcionários, que em caso de doença também de vemficarem casa.Mas emrelação aos mais pequenos, diz Maria João Brito, não é possível fazer muito mais. "Tem a ver com a capacidade de compreensão". 

São os mais pequenos, abaixo de um ano de idade, que correm os maiores riscos. A especialista acha que a nova vacina não será dada às crianças e às grávidas "pelo menos nesta fase da pandemia". 

Mas, de acordo com o que os estudos feitos nos Estados Unidos indicam, não há contra-indicações para amamentação. "Uma mãe que esteja com gripe A pode e deve amamentar o bebé. 

O leite transmite anticorpos que os ajuda a combater a infecção. Na fase inicial, muito contagiosa, o bebé não deve permanecer junto da mãe nas primeira 48 horas", explicou. Lavar mãos é rotina Nas escolas e infantários, as regras básicas de higiene conquistam- se através de rotinas. "Estamos sempre a estimular para que o façam. 

Os mais pequenos lavam as mãos muitas vezes ao dia. Antes e depois de cada refeição e sempre que se assoam ou espirram. Na sala temos sempre um rolo de papel para os assoar. 

Não é só agora, foi sempre assim", disse ao 24horas Cláudia Silva, educadora de infância numa creche na zona do Cacém. Para já não há músicas ou jogos especiais para os ajudar a ganhar hábitos. O esforço dessa conquista cabe às educadoras, pela persistência. "Muitos ainda não sabem assoar-se ou fungar.Aaprendizagem é feita pela rotina. 

Depois, eles acabam por começar a pedir", referiu. A limpeza é essencial para travar o contágio. "Nos jogos de partilha temos mais cuidado, as salas são limpas todos os dias e no berçário e na creche os brinquedos são lavados todas as semanas. Emcaso de contágio, a sala é toda desinfectada", assegura Cláudia, acrescentando que vão falando com os pais para perceber para onde vão de férias. No infantário, as casas de banho têm doseadores de desinfectante para as mãos e nas salas existem panfletos com toda a informação sobre os sintomas e comoagir. Recentemente, tiveram uma acção de formação para desenhar o plano de contingência. "Um dos primeiros passos é criar mecanismos para a escola não fechar", disse. Asituação é um pouco diferente quando se fala de miúdos com mais idade. 

Estabelecer regras básicas de higiene é fundamental. Mas as coisas não devem ser feitas com alarmismo. "Penso que os pais só precisam de se concentrar nas medidas e não dar uma atenção demasiado grande à gripeA. É muito difícil para as crianças mais pequenas perceber o que isto realmente é", defendeu o médico Colin Lee, um dos autores do guia canadiano "Apandemia da gripe e eu". A opinião é partilhada por outros especialistas estrangeiros, onde o número de casos positivos é muito superior ao português. "Devemos prepará-los para não serem surpreendidos. Os pais devem falar sobre o assunto, devem dizer-lhes que não é algo que os impeça de ir à escola ou fazerem as suas actividades", explicou Susan Coombs, pediatra em Toronto, Canadá. 



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