José Alencar, que nos últimos oito anos foi vice-presidente do Brasil e há 90 dias está internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, lutando contra um cancro, saiu nesta terça-feira daquele estabelecimento hospitalar por curtos momentos para receber uma homenagem do governo da capital paulista, a mega-cidade brasileira que também nesta terça completa 457 anos.
O ex-presidente Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, que nesta cerimónia se encontraram em público pela primeira vez desde a posse dela, fizeram questão de participar na hhomenagem a Alencar e não saíram do seu lado um momento sequer.
"Nós [ele e os médicos] estamos a tentar vencer as dificuldades, ainda que elas não sejam brincadeira. Mas Deus sabe o que faz e aceitaremos a sua decisão de bom grado”, afirmou, emocionado, José Alencar, acrescentando:“Se eu morrer agora, não posso me queixar, tenho até que me sentir um privilegiado, pois está todo o mundo a rezar por mim, mas estou a lutar para não morrer.”
O ex-vice-presidente, que tem 79 anos e nos últimos 90 dias só tinha saído do hospital por dois períodos inferiores a 24 horas, um para ir e voltar rapidamente a Brasília e o outro para passar uma noite em casa com a família, reconheceu que está a atravessar um dos piores momentos da sua já longa luta contra a doença, que o fez submeter-se a uma dezena e meia de cirurgias nos últimos anos.
Mas, com o bom humor que sempre o caracterizou, Alencar chegou a brincar com o facto de discursar sentado numa cadeira de rodas e falar pouco.
“Como o presidente Lula me ensinou, um discurso tem que ser como um vestido. Não pode ser tão curto que nos escandalize, nem tão comprido que nos entristeça.”
No palco onde recebeu a medalha 25 de Janeiro, dia da fundação da cidade de São Paulo, fundada por dois padres jesuítas em 1554, José Alencar esteve sempre acompanhado de dois médicos do Hospital Sírio Libanês, para onde voltou depois da cerimónia.
Dilma, que lhe segurava a mão, e Lula, que o aplaudiu repetidas vezes, fizeram questão de estar sempre a seu lado. No seu curto discurso, Dilma Rousseff, que viajou de Brasília expressamente para entregar a medalha a Alencar, elogiou o amigo, de quem já foi subordinada quando era ministra.
“Todos os cidadãos do Brasil sabem da importância deste homem, que saiu de baixo e construiu um império económico, mas não perdeu jamais o seu compromisso com o Brasil. Ele foi um grande vice-presidente, ao lado de um grande presidente.
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