Felipa chorou por Raul Cortez
Eram 20h15 de terça-feira quando o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, anunciou a morte do actor Raul Cortez, 73 anos, devido a “complicações relacionadas a um cancro na zona abdominal”. O barão do Bonsucesso de “Senhora do Destino” (SIC), papel que teve de abandonar a meio por causa da quimioterapia, sofria de cancro no pâncreas desde 2004. Depois de ter sido operado em Dezembro desse ano para extrair um tumor maligno, voltou a entrar de urgência no hospital no passado dia 30 de Junho com uma recaída.
O actor deixa saudades entre colegas brasileiros e nos amigos portugueses. Nomeadamente, Felipa Garnel, que travou amizade com Cortez depois de o ter entrevistado para o “Mundo VIP” (SIC). “Estou tristíssima”, disse emocionada Felipa Garnel ao 24horas.
“Ele era uma pessoa fantástica, não consigo falar mais sobre isso”, continuou a jornalista, de voz embargada, lembrando como se tornaram amigos: “Ele estava a fazer o ‘Rei do Gado’. É daquelas coisas que acontecem.
Sentimos uma grande empatia e ficámos amigos”. Logo que soube da notícia, a directora da revista “Lux” ligou à família de Raul. “Falei com as filhas dele. Elas estavam preparadas para isto, mais do que eu”, defende, e acrescenta:
“Ele sofreu muito nos últimos dias, desde que foi internado”, afirma.
Segundo o canal brasileiro Globonews, Raul Cortez sabia que estava a chegar a sua hora. Assim, desde a noite de segunda-feira que estava tranquilo. Quando recebeu a última visita da filha Lígia, Cortez fez questão de a avisar para o que ia acontecer.
Para Felipa Garnel, o amigo fez de tudo para se despedir de quem lhe era importante.
“Dois meses depois da operação, Raul pediu ao médico que o deixasse viajar para Portugal. Acho que ele se veio despedir do País e dos amigos”, conta a jornalista, que adianta ter falado com ele pela última vez há dois meses: “Pareceu-me bem, mas sentiu-o cansado”.
“É uma tristeza muito grande, é uma grande perda, era um óptimo actor que dignificava a nossa profissão”, comenta Miguel Falabella, que está em digressão por Portugal com a peça “Submarino”.
Mas se este actor não pôde comparacer à última despedida do colega, muitos foram os que acudiram ao Teatro Municipal em São Paulo.
A cerimónia começou às sete da manhã para amigos e familiares e as portas abriram-se aos fãs a partir do meio-dia. Às 11h00 houve uma missa, seguida de uma homenagem dos monges do Colégio onde Cortez estudou quando era adolescente. No final da tarde, perante um enorme cortejo em lágrimas, o corpo do actor seguiu para ser cremado em Vila Alpina.
Também o Presidente brasileiro, Lula da Silva, fez um comentário público onde dizia que “a cultura brasileira acaba de perder um talento inigualável”. O secretário da Cultura de São Paulo, João Batista de Andrade, foi mais longe e afirmou durante o velório que o Governo pode decretar dia de luto oficial pela morte do actor.