Domingo à noite, o telefone de José Luís Rosa, 51 anos de idade, deu sinal de chamada. Mas tanto a mulher como a filha ficaram surpreendidas pela ausência de resposta. Emigrado há seis anos na Nigéria, o homem não atendeu o telemóvel nem “devolveu” a chamada. Por essa altura já se encontrava na posse de um grupo de raptores. Fora levado sexta-feira, pouco depois do meio-dia. Mas, a família, em Portugal, ainda não sabia de nada. “Há vários dias que não temos notícias dele”, revela a mulher ao 24horas. Desesperada, Inácia Rosa só ontem de manhã teve conhecimento de que o marido fora raptado por um grupo de cerca de 50 homens armados, no estado nigeriano de Ondo. A trabalhar como encarregado geral na empresa italiana Picolo Construction, José Luís estava envolvido no projecto de construção de uma estrada, próximo da localidade de Ajagba.
Um outro português que se encontra na região contou à família que, de um momento para o outro, dezenas de indivíduos chegaram pelo rio, em embarcações, consumando o rapto. “Levaramno para a montanha. É tudo o que sabemos”, diz a mulher. Inácia acrescenta que a última vez que falou com o marido foi no passado dia 30 de Janeiro, por volta das 21h30. “Falou muito pouco. Achei-o estranho mas disse- me que estava bem”, recorda. De então para cá, voltou a tentar por mais vezes o contacto por telemóvel. Sem sucesso: “Não respondeu nem às minhas chamadas, nem às da filha”. “Só quero ouvi-lo dizer que está bem. É tudo o que quero. Tudo”, desabafa, entre lágrimas.
Família aflita
Natural de São Luís, concelho de Sines, José Luís Rosa tem dois filhos. É pai de um rapaz, com 20 anos, e de uma rapariga, com 25. “A família está toda muito aflita com esta situação, como é natural. A distância é muito grande e as informações que nos chegam são poucas. Estamos muito preocupados”, diz o cunhado, Fernando Raposo, esperançado em que o caso, apesar de toda a incerteza, “termine bem”. Em declarações ao 24horas, Fernando Raposo revela que, segundo foi explicado à família, os sequestradores pertencem a uma facção contrária ao Governo tendo pedido um resgate, cujo valor não foi divulgado. “Não sabemos quanto querem pela libertação do meu cunhado mas foi-nos dito que a empresa italiana está a negociar o pagamento desse montante”, explica este familiar. As negociações com os rebeldes estarão igualmente em curso