O trabalhador português que se encontrava sequestrado por rebeldes nigerianos desde o passado dia 7 foi libertado ao princípio da noite de ontem. Segundo a família, José Luís Rosa encontra- se bem de saúde, apesar dos 18 dias de cativeiro na selva africana. "Soube da notícia quando eram nove e meia da noite aqui na Nigéria. O drama prolongou-se por muito tempo mas teve um final feliz, como ele merecia", disse ao 24horas Paulo Silva, que trabalha nas proximidades do local onde José Luís foi sequestrado. "Já falei com ele ao telefone, disse-me que está bem de saúde. Foi libertado e encontra- se em boas mãos, a recuperar", acrescentou Paulo Silva, recusando avançar com mais pormenores sobre o desfecho do caso.
Natural de São Luís, concelho de Odemira, José Luís Rosa encontrava-se a trabalhar na Nigéria como encarregado- geral na empresa italiana Picolo Construction Company. Quando foi raptado encontrava- se nas proximida-des da localidade de Ajagba, no estado de Ondo, a coordenar os trabalhos de construção de uma estrada. A acção dos rebeldes não durou mais do que escassos minutos. Um grupo de homens armados empurrou o único branco que se encontrava na obra para dentro de um carro e colocou-se em fuga. "Foi tudo muito rápido. Os seguranças não tiveram qualquer hipótese de reacção e ainda bem que não o fizeram, pois podia ter havido um banho de sangue", explicou Paulo Silva.
Mulher e filhos com o "coração nas mãos"
Do carro, José Luís Rosa foi depois levado para o interior de uma embarcação. E escondido pelos sequestradores numa zona de densa floresta. A operação terá envolvido cerca de cinco dezenas de homens, fortemente armados. Em Portugal, a mulher e os dois filhos do emigrante viveram todos estes dias com o "coração nas mãos". "Estamos muito felizes com este desfecho, como é natural", desabafou a filha de José Luís Rosa, residente em Vila Real de Santo António, em declarações ao 24horas. Sem pormenores sobre as circunstâncias da libertação do pai, Ana Filipa Rosa esperava ansiosamente, pelas 23h00 de ontem, um telefonema da Nigéria. "Ainda não falámos com ele e portanto não podemos dizer muito mais nesta altura", acrescentou. As negociações com os rebeldes foram efectuadas directamente pela polícia de Ondo e pelos Governos nigeriano e português, cujo envolvimento foi feito através da Secretaria de Estado das Comunidades e da embaixadora portuguesa na Nigéria, Fátima Perestrelo.
Fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades, António Braga, confirmou ontem o fim do sequestro e agradeceu "às partes envolvidas e também à família pela serenidade demonstrada durante todo o processo".