As recentes faltas de Carolina Salgado ao julgamento que a opõe a Jorge Nuno Pinto da Costa, inclusive a de ontem, foramjustificadas através deatestadomédico e o tribunal chamou o clínico que acompanha a ex-companheira do presidente do FC Porto para que este explicasse as ausências.
O colectivo de juízes recolheu, em privado, as explicações do médico Aníbal Abrantes, autor do atestado que justifica as faltas, mas não adiantou publicamente qual o problema de saúde de que sofre Carolina Salgado.
E nem o clínico o revelou, apesar de questionado pelos jornalistas.
À imprensa, AníbalAbrantes explicou apenas que a arguida não estaria em condições para aguentar a "pressão" inerente ao julgamento.
Carolina Salgado tem assim, desde ontem, as suas ausências justificadas, no julgamento em que é arguida no Tribunal de São João Novo, no Porto.
O atestado levou ainda o colectivo de juízes a informar que a arguida se mantém também impedida de prestar declarações emquaisqueroutras circunstâncias.
O documento do médico é válido até 8 ou 9 de Agosto, explicou o advogado da arguida, José Dantas.
"Pacto de silêncio" Após a primeira de quatro ausências, a 2 de Junho, o tribunal decidiu iniciar os trabalhos a 7 deste mês, sem a presença da arguida.
Ontem, o colectivo de juízes continuou a ouvir o advogado Lourenço Pinto, assistente num dos processos contra Carolina Salgado. Do banco das testemunhas, Lourenço Pinto afirmou mesmo que a arguida terá sido "usada, abusada e atirada fora", cita a agência Lusa. O advogado referia-se à imputação, pela arguida, de comportamentos alegadamente criminosos a Pinto da Costa e a outras figuras do círculo do presidente do Futebol Clube do Porto – incluindo o próprio Lourenço Pinto – acusações feitas, nomeadamente, no livro publicado em 2006, "Eu, Carolina".
"É pena que algumas páginas fossem escritas aqui e outras fora, noutro sector do País", afirmou também Lourenço Pinto perante o colectivo de juízes do Tribunal Criminal de São João Novo. No entanto, Lourenço Pinto nunca revelou, nem na sala de audiências nem no exterior – a pedido dos jornalistas – quem teria "usado" Carolina Salgado.
O advogado, que terminou ontem o seu depoimento iniciado na sessão do dia 14 de Julho, manteve que Carolina Salgado pediu a Pinto da Costa, através do advogado José Dantas, 500 mil euros para, "num pacto de silêncio", não avançar com a obra que lançou no final de 2006 e pela qual está acusada de difamação.
Acareação é hipótese No final do depoimento, o advogado de Carolina Salgado, José Dantas, quis explorar alegadas contradições deste depoimento comafirmações de Pinto daCosta. José Dantas pediu nomeadamente a junção ao processo de fotocópias autenticadas de declarações atribuídas a Pinto da Costa na instrução de um outro processo, este por extorsão, e no livro "Luzes e Sombras de Um Dragão", da autoria de Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca.
Entretanto, Gil Moreira dos Santos, advogado do presidente do FCP, já revelou a disponibilidade do seu cliente para uma eventual acareação com Lourenço Pinto, mas o Tribunal ainda não proferiu qualquer decisão sobre esse requerimento.
A decisão foi adiada em virtude de o representante legal de Lourenço Pinto ter pedido um prazo para ponderar e só depois se pronunciar sobre o pedido da defesa de Carolina Salgado. O julgamento visa tanto Carolina Salgado como Jorge Nuno Pinto da Costa, que se encontram acusados no âmbito de um conjunto de seis processos desencadeados após a separação do casal. O presidente portista é arguido apenas num desses processos, estando acusado de alegadamente ter dado duas bofetadas à ex-companheira, em Março de 2006, numa altura em que procedia à retirada de bens de uma vivenda da Madalena, que ambos tinham coabitado. As restantes cinco acusações visam essencialmente Carolina Salgado. Numa delas, a arguida é acusada de, alegadamente, ter mandado incendiar os escritórios de Pinto da Costa.